Cama vazia,
enrolada nas memórias da noite...
O dia, esse brilha, executa-se, é o Real, o construído...
A noite é o abrigo dos extremos, dos sonhos e dos pesadelos, do surreal e do irreal, completam-se mas são incompatíveis.
Foi a noite que alojou tudo o que há de misterioso, louco e maravilhoso.
mas a fantasia não sobrevive com muita luz, desvanece-se com a aurora... e depois a única recordação desses momentos são os vincos nos lençóis, a forma como a colcha fica enrolada, as almofadas perdidas, como se fosse um mapa para nos conduzir de volta aos sonhos da noite anterior...

Fazer a cama, desfazendo as marcas da noite anterior, é aceitar que aquela noite não voltará, guardando as lembranças que por acaso ficaram do sonho, e preparar um espaço limpo e sem rugas para a próxima aventura noturna...